Decerto, Voarei em arrepios Reconhecerei lugares Decerto...
Me encontrarei em ares desérticos!
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domingo, 28 de março de 2010
SOPRO DE VIDA
Vida dividida assim Esperando e fazendo uma história
A minha história
Vida compartimentada Relaxando e labutando a vitória
A minha vitória
Vida repartida assim Inspirando e respirando um sopro de vida
O meu sopro de vida...
Anorkinda
AUTO-MERGULHO
Sabe o pensamento... Ele não cessa, não gosta de descanso
É a mente reativa. Ela não oferece paz nem por um minuto...
Sabe a meditação... Ela escurraça a aflição com o silêncio
É a arma positiva. Ela provoca um mergulho em si mesmo....
Sabe a roda-viva do pensamento... Na meditação ela silencia em amor celestial!
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COMO É SEU CARINHO?
Meu Carinho é um misto de saudade e eternidade
É presença e é crença de amor de verdade
Meu Carinho tem um gosto de ternura e candura
É fixação e é paixão que depura em fervura
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Magnetismo e luz
Ofuscamento da visão mundana
vens e arrebatas meus sentidos...
Rouquidão, aprimoramento insano
vens e dilatas meus desejos...
Aturdimento da razão profana
vens e dissolves solidões...
Sedução, cadenciamento humano
vens e alumias escuridões... ...
VAGA SENSAÇÃO DE CALOR
Vaga por mim uma estranha sensação Circula ao meu redor um calor, meio pavor Estremeço...arrepio...parece paixão!
Acho esquisito, totalmente sem noção Desejo a quem não sei, meio que pirei Passam por mim partículas de confusão!
Fora de mim, refugio a solidão Num ataque ardente, meio deliquente De abraçar o substrato da razão!
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FESTA EM VENEZA
Beijos vermelhos e cheiros doces ainda me circundam as lembranças
Barcas flutuando e moços doces ainda me atentam o pensamento
Festa em Veneza e férias de beleza já não são mais sonhos distantes
Foram inesquecíveis e bucólicos dias de alegres folias vivendo as fantasias!
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OLHOS DE SENSAÇÕES
Fico assim a observar pássaros ou flores e árvores... Enlevada, algo desequilibrada lembro dos mártires....
Penso em sensações estranhas em soluços e dúvidas... Fragmentos de sentimentos em pupilas úmidas...
Fico aqui a filosofar nuvens ou atalhos e desvios... Diluída, um pouco alterada em sombra e arrepios...
Teço teorias independentes em mente intuitiva... Momentos de entorpecimentos deixo a poesia à deriva...
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Delírios livros
Livros letras letras livros me enlevo, alço voo
Contos lendas lendas contos me distraio, vou no vento
Versos vozes vozes versos me fascino, eterno voo
Capas folhas folhas capas me afogo, vou na onda
Reis rainhas rainhas reis me deslizo, ébrio voo
Sonhos cores cores sonhos me transporto ao infinito!
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sexta-feira, 26 de março de 2010
Pão pão queijo queijo
Quis te explicar que uma coisa é uma coisa e outra coisa... bem... pode ser muitas coisas!
Quis te dizer que pão é pão e queijo bem... queijo pode ter muitos nomes!
Quis te trazer muitas possibilidades de ser muitas coisas e na vida ter muitos sabores
Mas do queijo só conheces um nome e na vida só aceitas uma coisa:
sempre a mesma coisa!
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TARDE DE VERÃO
O dia divagava em raios de um sol fervente. No ar, a fragrância retirada à força de flores coloridas. No lago, patos refrescavam-se em aparência tranquila. Pessoas caminhavam ao longe e nuvens pequeninas zombavam de minha procura por sombras. O cenário tinha uma atmosfera de espera, uma sensação trágica em ausência de esperanças.
De repente, um silêncio apossou-me, quase me derrubou. Veio com violência e fêz-se exclusivo e envolvente. Emocionada, comecei a perceber um pequeno batimento que aumentava à medida que minha atenção concentrava-se.
Soltei em um soluço a pergunta: - O que falas baixinho, meu coração?
Fechei os olhos e imagens caleidoscópicas me responderam em uníssono, de uma forma contundente e figurativa. Mostrava-me o coração, este chakra mágico das emoções, estas imagens: aves se encontrando em carinhos, flores desabrochando em alegria, peixes singrando rios em abundância, estrelas e sóis em dança cósmica e rostos amigos sorrindo pra mim!
Aos poucos o batimento cardíaco transformou-se em música suave e em sussurro firme, meu coração disse baixinho: - Eu te amo!
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segunda-feira, 22 de março de 2010
SÁBIAS PALAVRAS
Ouriçam-se pelo ar todos aqueles fonemas As letras, em vogais agrupadas, abrindo-se...
Sábias palavras enfeitiçam a vagar Os versos, em fractais acomodados, nutrindo-se...
Atiçam-se até no mar todos aqueles sons Os verbos anormais incomodando intelectuais...
Párias palavras arremessam a jogar As consoantes viscerais cutucando torpes morais...
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Feliz
Em passo leve e feliz
A vida segue aprendiz
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ESTRELAS DIAMANTES
E naquela noite chovia estrelas...
O solo não absorvia, acumulava-se. Era tanto brilho... Um espetáculo!
Algumas apagavam-se, viravam cascalhos. Outras luziam ainda mais...
Eram celestes diamantes em luxuosa mágica!
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DIA DE CHUVINHA GOSTOSA
Do lado de fora da janela a cortina de chuva fina umedecia o dia...
Do lado cá desta tela a emoção me desafina, ardência fria...
Olhando o voal da chuva eu sentia a emoção gostosa de que você viria...
Conversando com esta tela muda eu sabia que eu era a rosa que você queria...
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DESEJOS
D oces palavras E spaçam entre sons S into as emoções E nevoadas em mil tons J á repeti anseios O ndulando em megatons S uave languidez das sensações...
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SOFRO PORQUE TE AMO
Chama que arde no peito Não escondo o efeito Que devasta meu coração e anula de uma vez a razão
Provoca-me o defeito de ficar sem jeito Quando sinto tua mão e pra ti nunca digo não
Queria ficar à vontade e fazer-te saudade nos versos que declamo
Mas, que infelicidade eu perco a espontaneidade e sofro porque te amo ...
quinta-feira, 18 de março de 2010
PERDIÇÃO
És assim mesmo...perdição! Irresistível paixão Superior atração
É assim, de modo espontâneo Instantâneo Simultâneo
O modo enlouquecedor de teu olhar devastador no meu, refletor...
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quarta-feira, 17 de março de 2010
Depressa...
Mais algumas pétalas se abriram num rosa-chá Outras folhas caducas caíram no piso grená O novo assobio do canário-belga Você ainda não ouviu
Uma chuva fina começou ainda agora O cheiro de grama me levou passado afora O novo sorriso que eu dei Você ainda não viu
Tenha pressa de aqui chegar Ou as delicadezas vão acabar E você vai dizer que não usufruiu
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quarta-feira, 10 de março de 2010
(ilustração de Marcelo Dalla)
POR MAIS...
POR MAIS QUE PAREÇA SER DE CONFIANÇA EU MESMA ME DESCONFIO E FECHO A CARRANCA
POR MAIS QUE DÊ PRAZER ESSE NEGÓCIO DE VIVER EU SEMPRE ME POLICIO E PONHO UMA TRANCA
POR MAIS QUE A LOUCURA SEJA BRAVA E IMPURA EU SEMPRE ME ARREPIO E QUEBRO A BANCA
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Em cores, a liberdade
E voam eles...os balões...
parecem voar aleatórios
mas são guiados
por hábeis mãos
Encantam eles...às dimensões...
enriquecem a visão, notórios
como alados
sonhos coloridos
Entoam eles...as canções...
de sonoridades irrisórias
nos entreatos
de bailados bonitos
E mostram eles...os balões...
a liberdade em envoltórios
como artefatos
de exímios artesãos
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HOME SWEET HOME
E vieram os laços
os gatos
as cobertas
as janelas abertas
Vieram em abraços
em cansaços
dos panos
das rotinas dos anos
Descansaram no lar
no conforto
as saudades
as fases das idades
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O BRILHO DA LUA
Estava escuro, a lua era minguante...
Eu procurava pelas estrelas
e você jurava que elas lá estavam...
detrás do manto de escuridão
Fitava o infinito, a dor era lancinante...
Eu esperava o brilho delas
e você desejava por nós, de coração
e os astros nos abençoavam...
Num arroubo, flutuamos
pra perto da lua
que minguava...
Num espanto, olhamos
o brilho que nos chamava...
e lá estava, redesenhado o brilho da lua!
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A LINGUAGEM DAS FLORES
Coloridas línguas trelam elas, as flores
Vermelhas palavras proferem as rosas, damas dos jardins
Rosáceos tons melodias doces, se ouve nos ramos de primavera
Nas floradas amarelas dos ipês, a voz é mansa mas alegre
Música azul e invernal canta corajosamente a muda de hortênsia
Timbre exuberante tem a orquídea roxa
A orquestra florida celebra a vida é linguagem de exaltação!
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EU E TU E nvolvente como o dia quente U m delírio...tu és em mim... E mbaralhadas vidas... T elúrica, prazer de ser única U ma exuberância...só pra ti...
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REGATO
Com a calma das águas tranquilas Conversam os passarinhos... me traduzem
As emoções nem sempre claras Amenizam-se em carinhos elementais.
Com as verdes paisagens Conduzem-se sonhos originais.
As solidões nem sempre tristes Alimentam os ninhos... me acolhem.
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Em Oração
Com vocês sempre perto
Meu coração agradece
A presença sempre constante
Em oração permanece
A chama sempre acesa
Da adoração que aquece
Com vocês sempre em defesa
Minha bênção me engrandece
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segunda-feira, 1 de março de 2010
MAR, AMOR, AMAR
amar o mar em mar de amor amor às ondas, inundar de amor amar-te em mar e sabor e amando assim maremoto será...
amar em mar e calor velejar em teu mar e me perder... amor aos ventos do amor e me achar náufrago de você.... velas de tanto querer
minha profundidade azul te reluz em mar de paz e luz contraposto sonho e realidade tudo se sobrepõe à naturalidade meu mar, meu amor, meu amar... lágrimas e águas em sal
quero cortar tuas águas e pousar amar-te em pleno mar e nosso mar será amar amando mais que desejar num manso flutuar de ondas quentes sobre o mar
Márcia Poesia de Sá e Anorkinda
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FONTE
Da fonte, o mergulho Da cascata, o barulho Da vida, o embrulho Do presente!
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DOCE MENINA
D e vestido rendado O lhar adocicado C abelo arrumado E flor no penteado
M imosa menina E ncantada N o raiar da vida I luminada N o frescor-menina A bençoada
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NA FLOR, A VIDA
Nas cores, a chama
o grito de alerta
o imã inteligente
No perfume, o doce
o enlevo de prazer
o poder eficiente
No pólen, a semente
a perpetuidade
a continuidade
Na flor, a vida
a celebração
a explosão
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Viagem de volta ao surreal
Desenho um cenário bem diferente do real Entro nele, devaneando em pincel surreal Bosques e montanhas me receberam Com uma estrondosa festa
Percebo a paisagem tão familiar Subo degraus, de par em par Amigos me cantaram Uma linda seresta
Gracejo com todos daqui fingindo ser normal gargalhar no surreal
Almejo ficar por aqui versando o anormal poetar do mundo real!
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À MESA Degustes... Pequenos nacos de sonhos Mordisco nas manhãs nubladas Pratos cheios... Fartas fatias de fantasias Devoro em refeiçõs ensolaradas Taças... Uns poucos goles de delírios Bebo nas tardes de ventanias Jejum... Picantes sonhos secretos Salivo em noites enluaradas ...