segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016



Sincopeiamente

O verso veio assim
sincopeiamente
troteando pela língua

Qual gago, no fim
terminou demente
nos deixando à míngua

.


.



O voo das saudades

Delicadamente
o dia dá adeus
com promessas
de proteção
e breve volta

Levemente
balançam
as penas
ao sabor
da brisa 

Docemente
as saudades
em remessas
de ar quente
vão soltas

Lindamente
avançam
por entre
sombras
e divisas
.

.


quarta-feira, 22 de abril de 2015



Em mim

A eternidade
desaba em mim
em tempestade
e vibração

A novidade
permeia em mim
um fluido 
e exalação

A felicidade
escorre em mim
em umidade 
e emoção

A atividade
responde em mim
um fluxo
e comoção

.




Judiaria

Meus olhos nervosos anseiam
te procuram em agonia

Meus nervos tensos incendeiam
te querem em quentura

Meus lábios secos desejam
te chamam em gastura

Meus sentidos esbravejam
te denunciam em judiaria

.


terça-feira, 21 de abril de 2015


Poesia de inverno

Dia de sol no  inverno
É dádiva e canção
É cantarolar a céu aberto
e ter calor no coração

Passeio na tarde fria
É convívio e comunhão
É fazer parte da família
dos elementos da Criação

Respirar e escrever poesia
É alívio e satisfação
É ter na vida a alegria
de esparramar emoção

Poema que se faz eterno
É viagem e solução
É silenciar no deserto
e ser amigo da solidão

.




Depoimento

Quase estivemos juntos
em verso e melodia

Quase escrevemos duetos
de paixão e sintonia

Quase cantamos a vida
em luz e harmonia

Quase curamos a ferida
que eterniza a agonia

Quase fizemos a fusão
de nosso sentimento

Quase abrimos o coração
em paz e acolhimento

Quase assistimos o voo
de todo sofrimento

Quase te perdoo
por este depoimento


.





Medo de enternecer

Às vezes as cruezas da vida
endurecem o coração

que o fogo brando de um afago
amolece em emoção

mas um medo descabido
arrefece a ação

e a ternura mais que teimosa
esquece a proibição

persevera e você, enfim
enternece sem evasão

.








Em nome da amizade

Por vezes falo exageradamente
e não me calo, mesmo aos soluços.
A meus amigos amo sinceramente!

Por tantas vezes os sentimentos
calam a voz de muita gente
mas não os meus, ebulientes...

Por muitas razões eu exagero
e não controlo a fome de abraços.
A meus amigos, eu venero!

Por razões inconscientes
calo minha voz somente
quando verso, enternecida...


.




Rio de amor

Eu quero ser um rio de amor
Eu quero transbordar
e atingir tudo a minha volta

Eu quero fluir no rio do amor
Eu quero flutuar
e atingir tudo sem revolta

Eu quero estar no rio do amor
Eu quero nadar
e atingir tudo sem escolta

Eu quero mergulhar no rio de amor
Eu quero transfigurar
e viajar num caminho sem volta

.






Não arranque-me pedaços, mas...

Arranque-me as roupas
uma a uma, peça a peça
com requinte, com deleite

Arranque-me gemidos
com ou sem pressa
com desfrute, com entrega

Arranque-me beijos
sem pedir licença
invada, com consciência

Arranque-me aos poucos
a lucidez como recompensa
pela espera e paciência



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domingo, 5 de outubro de 2014




A LINGUAGEM DAS FLORES

Coloridas línguas
trelam elas, as flores

Vermelhas palavras
proferem as rosas,
damas dos jardins

Rosáceos tons
melodias doces,
se ouve nos ramos
de primavera

Nas floradas amarelas
dos ipês, a voz
é mansa mas alegre

Música azul e invernal
canta corajosamente
a muda de hortênsia

Timbre exuberante
tem a orquídea roxa

A orquestra florida
celebra a vida
é linguagem
de exaltação!


.






ENFERMIDADES

Sabe aqueles dias
de alma nublada
sujeita a temporais?

E aquelas horas
desesperadas
prestes a explosões?

São momentos
fio de navalha

Clamam por calma
e meditação

Para que não
atormentem
o corpo aflito

Nem direcionem
a pobre mente
às enfermidades


.




CRIANÇA

Do fundo de mim
pincei a criança e a trouxe à tona
para ver a luz
para ver o mundo
colorido por fractais de luz

Brinquei por mim
com as cigarras e vaga-lumes
para ser feliz
para ser mais humana
exalando o perfume feliz

com fragrância Sabedoria!

.




AMOR CIGANO

É como o voo da mariposa...
livre, com sabor de vento...
um amor cigano

É forte desejo na pele...
leve, com aroma sutil...
um amor leviano

É como a chuva de verão...
solto, com frescor de momento...
um amor mundano

É fugaz paixão do corpo...
lindo, com sintoma febril...
um amor profano

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Esperança renovada

Agradeci sempre
cada momento meu

Rejuvenesci sempre
que sorria de prazer

Franzi bem menos
a testa com chateação

Respondi bem menos
intolerante aos chatos

Ontem traduzi
o que eu levava por dentro

Hoje amanheci
com esperança renovada

.