quinta-feira, 30 de dezembro de 2010



a sombra de uma árvore
pode ser um céu.


 Danniel Valente


A percorrer os delírios meus,
sombra dos prazeres teus
de vítimas e glórias,
uma eternidade se perdeu...
árvore dos desatinos meus.


Pode você, pisar o chão de luzes,
ser cometa e sentir as cruzes...
um redemoinho de histórias,
céu das sombras que conduzes.
.


Gêmeo

Tragá-lo
sorvê-lo
adentrá-lo
absorvê-lo
desvelo
novelo
do zelo
de tê-lo
em mim

.


O TEMPO DO ARCO-ÍRIS

Ao recordar quem eu sou realmente, tapete arco-íris faz-se estrada 
receptiva com as cores de um novo tempo. 

Foi preciso jogar as cordas ao mar do conhecimento sombrio, aportar ali
e encorajar-se na aventura.
Já no cais, vivências e experiências de todo tipo me puseram forte,
me lapidaram a alma em cristal.
Adentrei a vida, marinheira, estranhando a terra e o cheiro dela. Mas
segui. Persegui utopias, corri e perdi vários sonhos até encontrar 
a chave deles.
Estava no coração, foi difícil encontrar, quem pensaria em procurar ali?

Abri os portais de mim e relembrei meus singrares, navegante das estrelas.
Meus verdadeiros mares, azuis de eternidade, enviavam-me suas fragrâncias.
Também eles reclamavam minha falta e eu chorava saudades...

Ao recordar quem eu sou realmente, o tempo arco-íris fez-se escada
intuitiva com as novas cores cósmicas.

..

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010


VELEIRO DO DESAPEGO

não há o que dizer...
quando o veleiro do desapego
parte, singra, sangra...
vai...
e não há palavras a dizer...

..



Pelas águas


Pelas águas a singrar
um veleiro em dores
aquiescência


Protegido na fé, patuá
desfile de andores
efervescência


Pelas águas de Iemanjá
mar de todas as cores
transparência 


Refletido o céu, Ijexá
ponto para o Orixá
dos meus amores


Pelas águas a retornar
Ele, filho de Obá
dos meus ardores


Redimido na luz, Ofá
espada e escudo lá
a brilhar as cores


de ser minha Providência

..

MARIA, DE MAGDALA

Companheira, 
aquela gêmea
parte fêmea
da chama 
primeira

Mensageira,
junto dele
propagou a luz
Mulher de Jesus
inteira

Hoje é Nada
Mestra do Amor!

.



O ESPAÇO DA TAÇA

Do beijo, a vontade
Do afago, o desejo
Entre o toque
e o ensejo...
O espaço da taça

..

domingo, 26 de dezembro de 2010



É noite...


é noite de oração
mas a festa debulha
é bulhosa, é êxtase
felicidade pelo menino?
felicidade pelos presentes


é noite de luz
mas a festa escurece
o recanto principal
no coração
a boa-nova que é Jesus


é noite de paz
mas a festa incita
a inveja e o querer
sempre mais material
sempre mais artificial


é noite de amor
mas festa enternece
apenas os sermões
do mais radical
seguidor das inspirações
..

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010


A MAGIA DE LER

O feitiço é forte
de sul a norte
bailam as letras
escritas à caneta
ou imprimidas 
com tinta

A mágica pega
o olho esfrega
mas não pára
a rima é rara
ou os textos,
complexos

A magia de ler
é um converter
do escuro à luz
ao leitor conduz
ou mesmo faz
o cidadão de paz

.


MÃE DA SORTE


Daquelas que incita
que aconselha
era mãe zelosa
Perseverança


Naquelas tardes
que se evita
sair à rua
insegurança


Ela crê, acredita
que a centelha
de sua filha
vencerá


Dela era a frase,
que se repita:
- Não desista,
alcançarás!


-Serás sempre boa, sorte!

.


MINHA VIDA É POESIA


Minha vida é encantamento
de poesia
a me aproximar de você


Minha vida é muito doce
é caloria
que energiza o sentimento


O poema é instrumento
de harmonia
a me eternizar pra você

.


MANSIDÃO

É a bondade no coração
a falta de estímulos
pra violência

É a calmaria, mansidão
protetora dos filhos
da sobrevivência

.



Cadência calmaria


a felicidade
quando ultrapassa
a fase-euforia
segue, calmaria
cadência que compassa
a eternidade

.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010




Perdão

Me rendo ao teu poder, lua
Peço-te perdão, alma nua
Ofereço-te a rosa flor

Me amparo na força d'água
Alcanço-te, fim da mágoa
Lanço-me aos pés do amor

.



Poesia

A poesia é 
o manto doce
do dia-a-dia.
O que suaviza
o pensamento.

.




O Trem vai pra Pasárgada


Lá somos todos amigos do rei
ele faz versos, me banquetearei
Nosso trem vai pra Pasárgada
Nossa poesia em nova morada


Lá seremos bem tratados
os garçons serão alforriados
Nosso trem vai pra Pasárgada
Nossa amizade em florada


Na primavera chegaremos
todos de mãos dadas
à felicidade, brindaremos


Em boa saúde, a poetisa
falará com as fadas
seremos abençoados com a brisa

.

PÉROLA DO PRAZER

Feminina jóia
detalhada
em zelo divino

Pérola, carne
ornada
em suave corola

Pétala, prazer
excitada
em hábil toque

Desfruta quase a sofrer!

.


Poema controvertido


Posso revoltar-me
com a fome
com o frio
com o desamor
Posso condoer


Posso armar-me
com fuzis
com ardis
com o dissabor
Posso corroer


Posso versar-me
com paixão 
com palavras
com valor
Posso converter


o inimigo em escravo do amor

..

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010



PÉROLA


Era uma vez uma perolinha
de cor bem branquinha
Nascida em concha fina
onda do mar era cortina


Espiava a vida praiana
seus sonhos, seu prana
Oferecia seu pequeno brilho
ao mar, inocente vitrilho


Da poeira dos dias
incorporava harmonias
Canções pequeninas
entoava às meninas


dos olhos da lua

..

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010



SORRISO FORTE


Quando sorris, criança
o céu se encanta
e desce pra brincar


Quando tens um sorriso
no rosto, jovem
as janelas se abrem


Quando um adulto sorri
as horas passam
mais lentas e tranquilas


Quando o forte sorriso
alcança a velhice
a vida volta a brincar

.


Chega de medo


ilusórias e imensas sombras
em dimensões de medo
provocam desesperos


histórias e muitas lendas
em gerações de medo
perpetuam crenças


inglórias e bem antigas
as penitências
iludem o credo


vitórias e grandes feitos
as persistências
surtem efeito


e espantam o feio!
.


MEUS SONHOS

Meus sonhos incoerentes
desfilam suas cores
em noites abafadas
cheios de amores

Meus sonhos inconsequentes
jogam-se em penhascos
desfiladeiros impossíveis
fico arrotando seus ascos

Meus sonhos incompetentes
caem no poço fundo
das incompreensões
perdem o mundo

Meus sonhos ardentes
saem-se bem aptos
a queimar os anseios
fico suspirando seus feitos

Meus sonhos viventes
dançam abraçados
todos os dias...
realizados!

.

O amor quando acontece

Teus olhos adentraram-me
Descobriram os véus da indecisão
Teus olhos amaram-me

Teus lábios beijaram-me
Sentiram o gosto da paixão
Teus lábios despertaram-me

Doaram-se os corpos e foi pouco

para extravasar nossa união

.


CASTELO VIAMONT (em Viamão)


Dizia-se que neste castelo
vivia um rei que versava
mas ele nunca era visto
um mistério rondava


Ouvia-se o enredo belo
de amor e felicidade
o rei era benquisto
mas se isolava


Sentia-se uma paixão
nos decretos reais
mas não sabia-se
a quem o rei amava


Inquiria-se à solidão
o que se passava
o rei era valente
mas definhava


Queria-se auxiliar
o soberano amado
mas não oferecia-se
ajuda, o tempo passava


Temia-se falar
assunto delicado
o rei era temente
a Deus e acreditava


na vinda daquela a quem idolatrava
e por isso, solitariamente, ele esperava


.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010





Felicidade Arco-iris

Quando vai embora a chuva
com a sua capa gris
esqueço ressentimentos
passo na dor um verniz.

Quando a florada surgir
pelas mãos da natureza
nosso verso vai sorrir
colorido com certeza.

Tons e palavras amenas
desfilarão um arco-íris
de cores vivas e plenas
fazendo o mundo mais feliz

Esquecidas do passado
úmido de lágrimas frias
andaremos lado a lado
em pétalas macias

Gladis Deble e Anorkinda

.



Em embrulho


Teorias onipotentes
arrastam tanto orgulho
sob tapete vermelho


Artifício manipulador
certezas em embrulho
prepotência de esguelho


Me faço libertadora
não aceito o entulho
de seu discurso velho


.


DESCANSOU 

Enfim, o descanso
seu remanso
em verdadeira vida
sem a casca limitadora
a alma, absolvida

.

A MUSA DO REI


Melancolia tão dela
era a atmosfera
Europa linda e antiga
não oferecia o viço


Saudade em aquarela
era a espera
O amor, nem em cantiga
não oferecia serviço


Agonia em janela
era a quimera
Ilusão tão sua amiga
deu as costas, sumiço


Invade a musa nela
era a primavera
O calor que prossiga
seu ofício e faça o feitiço


Dê nova vida à donzela!


.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010



Desprazer pelas certezas


Me vi bradando
cheia de argumentos
até aos gritos, apelei


Me vi teimando
cheia de certezas
até os olhos, fechei


Me vi desanimada
vazia de energias
do tormento, desapeguei


Me vi alforriada
vazia de razões
na liberdade flutuei
.
.


INFORTÚNIO


Foi mesmo uma pena
uma dó muito grande
ele ter visto a cena:
um caracol gigante


Saciado e fagueiro
no galho da roseira
e o pobre, por inteiro
despido da espinheira


Como salvaria a rosa?
Sem ferir nem picar
todo o galante prosa
a despojaria num piscar


Seria o maior infortúnio
se a lua nascesse, clara
e bela em seu plenilúnio
sem ter a rosa pra seara


MEDO DE PENSAR

Se você tem medo de pensar
eu dou a receita mais certa:
- Fale sem parar!

.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010



ALMA DE QUIMERA

Há nessa luz que me invade
Uma profusão de claridade
Aguça- me a inspiração
Despeço-me da transpiração

Nessa leveza incomum, flutuo
Convido alguém para um duo
Seja para falar dos amores
Ou até da beleza das flores

Chego com ares de primavera
colorida até a alma de quimera
Negaceio com o frio insistente
Floreio as horas, displicente

Há nesse poema que transcende
Um perfume forte que rescende
A amizade de grande porte
Faço-me estrelinha da sorte!

Diná Fernandes e Anorkinda

.


Pássaro e flor


Paira aquele forte e delicado
pássaro brilhante das flores
Traz um mistério entranhado
até mesmo em suas cores


Doa toda flor, seu néctar
pólen e perfume de amor
Faz a festa-natureza, par
perfeito em todo esplendor

.

Pendurada no tempo

Em cadência marcada
batida de espera
timbres

Me provoco alfinetadas
toques de ânimo
estímulo

Em ardência apaixonada
ácida quimera
queimor

Te invoco, poder das fadas
afaste o pânico
em flor

.



O serenar da noite 


O úmido sentido


s equestra palavras
e nquanto é possível
r eina um desconforto
e stremecido e incontido
n oite de emoções escravas
a meaça o coração sensível
r eina o soberano medo, absorto


d egusto o sereno
a roçar os lábios


n ão suporto o vazio
o rnamento do Nada
i nvoco o poder dos sábios
t estemunho um sibilar macio
e sgueira-se a salvação em luar de prata!

.